OpenStack: a solução de nuvem flexível e personalizável

Gabrielle Ribeiro Gomes
Gabrielle Ribeiro Gomes

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12 minutos de leitura

As soluções de nuvem mais populares, como AWS, Azure, Google Cloud entre outras, podem apresentar limitações significativas em relação à flexibilidade para organizações que buscam assegurar conformidade estrita, integrar sistemas legados de forma transparente e manter controle absoluto sobre sua infraestrutura em nuvem.

Nesse contexto, o OpenStack surge como uma solução robusta e acessível!

Gif do personagem Julius da série todo mundo odeia o Chris: um homem negro de camiseta bege, segunrando uma revista. Ele está falando a frase “Isso que é mágica.”

Essa ferramenta desempenha um papel importante na democratização da nuvem, oferecendo uma alternativa open source às soluções proprietárias.

Sua arquitetura modular e a forte comunidade contribuíram para sua ampla adoção em diversas indústrias, do setor de telecomunicações à pesquisa científica.

Vamos explorar os principais aspectos do OpenStack, desde sua arquitetura e componentes até a grande comunidade que o apoia, destacando suas vantagens e desafios para organizações que desejam construir e gerenciar suas próprias infraestruturas de nuvem com eficiência e flexibilidade.

Bora lá?

O que é OpenStack?

O OpenStack é uma plataforma de software de código aberto, que permite a criação e gestão de infraestrutura de computação em nuvem, tanto em ambientes públicos como privados.

Foi projetado para fornecer infraestrutura como serviço (IaaS) e tem ganhado popularidade por sua flexibilidade, escalabilidade e comunidade ativa de desenvolvimento.

Existem diversas soluções de nuvem disponíveis atualmente, como AWS e Azure. O OpenStack, diferente delas, é uma solução para infraestrutura on premises acessível na web, ou seja, é uma nuvem criada e gerida pela própria organização.

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Como surgiu o OpenStack?

O desenvolvimento do OpenStack teve início com uma colaboração entre a Rackspace Hosting e a NASA visando criar uma solução flexível e escalável para infraestruturas de nuvem pública e privada.

Assim, em 2010, o OpenStack foi lançado como um projeto de código fonte aberto para computação em nuvem.

Em 2011, foi lançada a versão “Cactus” da plataforma. Essa foi a primeira versão considerada pronta para a produção. Nesse ponto, o OpenStack começa a ganhar relevância na comunidade de tecnologia da informação (TI).

A Fundação OpenStack foi estabelecida como uma entidade independente para gerenciar o projeto, em 2012.

Isso visava garantir a neutralidade e promover um ecossistema aberto e colaborativo. Empresas como AT&T, Canonical, Hewlett-Packard, IBM, Rackspace, Red Hat, SUSE e muitos outros se juntaram como membros fundadores.

A partir desse momento, a OpenStack continuou a se desenvolver com melhorias significativas em escalabilidade, desempenho e segurança.

Nos anos seguintes, grandes empresas de tecnologia, como IBM, HP e Oracle, começaram a adotar o OpenStack para suas soluções de nuvem.

Atualmente, o OpenStack continua a evoluir com um foco crescente em arquiteturas cloud-native e suporte a tecnologias emergentes como edge computing e 5G.

Arquitetura e componentes do Openstack

Projetada para ser modular, flexível e escalável, a arquitetura do Openstack é composta por ferramentas chamadas de “projetos”, que trabalham juntos para fornecer uma solução completa de infraestrutura em nuvem.

Assim, é possível empacotar diversos projetos para criar nuvens únicas e implantáveis.

Cada componente (projeto) é responsável por uma função específica dentro do ambiente de nuvem. Vamos conhecer os principais componentes da arquitetura do OpenStack!

Nova (Computação)

Nova é o serviço de computação do OpenStack, que gerencia a criação, agendamento e destruição de instâncias de máquinas virtuais. Ele suporta diversas tecnologias de virtualização e containers.

Swift (Armazenamento de Objetos)

O Switf é um sistema de armazenamento de objetos escalável e redundante. Ele armazena dados em containers e é ideal para armazenamento de grandes quantidades de dados não estruturados.

Cinder (Armazenamento em Bloco)

O Cinder fornece armazenamento em bloco persistente, permitindo a criação e gestão de volumes que podem ser anexados a instâncias de computação para armazenamento persistente de dados.

Neutron (Rede)

O Neutron gerencia a rede e a conectividade para instâncias do OpenStack, oferecendo serviços como roteamento, NAT, firewalls, VPN e redes definidas por software (SDN).

Horizon (Painel de Controle)

O Horizon é o painel de controle baseado na web do OpenStack, que permite às pessoas usuárias e administradoras gerenciar e operar os vários serviços do OpenStack através de uma interface gráfica.

Keystone (Identidade)

O Keystone é o serviço de identidade do OpenStack, responsável pelo gerenciamento de usuários, projetos e a associação de políticas de acesso aos recursos da nuvem.

Glance (Gerenciamento de Imagens)

O Glance oferece serviços de descoberta, registro e entrega de imagens de disco e servidor. As imagens podem ser usadas para iniciar novas instâncias.

Heat (Orquestração)

O Heat é o serviço de orquestração do OpenStack que utiliza templates para descrever a infraestrutura e as relações entre os recursos, facilitando a implantação e gestão de complexos aplicativos em nuvem.

Ceilometer (Telemetria)

O Ceilometer fornece uma infraestrutura para coleta de dados de uso e métricas de desempenho, permitindo o monitoramento dos recursos e a criação de sistemas de cobrança baseados no uso.

Trove (Banco de dados como Serviço)

O Trove é um serviço de banco de dados como serviço (DBaaS) que simplifica a configuração, operação e escalabilidade de bancos de dados em nuvem.

Além dos componente principais, o OpenStack possui vários serviços adicionais que complementam a funcionalidade principal, como Barbican para gerenciamento de chaves e segredos, Magnum na orquestração de containers, Sahara para processamento de dados em massa, Manila para compartilhamento de arquivos e Ironic para gerenciamento de infraestrutura bare metal.

Interação entre os componentes

A arquitetura modular do OpenStack permite que cada componente funcione de maneira independente, interagindo com os outros componentes por meio de APIs bem definidas. Isso proporciona flexibilidade para escolher e integrar apenas os componentes necessários.

A interação contínua e coordenada entre os componentes é essencial para proporcionar uma plataforma de nuvem integrada, eficiente e coesa.

Entendemos como funciona a solução de software do OpenStack, mas e o hardware?

Hardware e o OpenStack

O Openstack em si não fornece hardware. Ele é uma plataforma de software de código aberto para construir e gerenciar infraestruturas de nuvem, o que significa que os usuários precisam fornecer seu próprio hardware para implementar e operar o OpenStack.

O OpenStack é compatível com hardware de uma variedade de fornecedores, incluindo Dell, HP, IBM, Cisco, e outros. Isso oferece flexibilidade para escolher os componentes que melhor atendem às necessidades e orçamento de cada organização.

Alguns fornecedores oferecem hardware que é certificado para uso com OpenStack, garantindo compatibilidade e suporte melhorado.

Algumas organizações optam por infraestruturas hiperconvergentes, onde computação, armazenamento e rede são integrados em uma única solução de hardware, simplificando a implementação e gestão.

Também existem distribuições comerciais de OpenStack. Empresas como Red Hat, Canonical (Ubuntu), e SUSE, oferecem essas distribuições, que podem incluir hardware pré-configurado e otimizado para OpenStack.

Além disso, algumas soluções de IaaS baseadas em OpenStack são oferecidas como pacotes completos que incluem hardware e software, facilitando a implementação inicial.

Assim, o OpenStack não fornece hardware, mas, como software, requer uma infraestrutura de hardware robusta e bem planejada para sua operação de forma eficiente.

A escolha e configuração do hardware são cruciais para o sucesso de uma implementação de OpenStack.

É importante considerar as necessidades específicas de computação, armazenamento, e rede da organização, bem como garantir que o hardware seja escalável e redundante para suportar a carga de trabalho e oferecer alta disponibilidade.

Vantagens do OpenStack

O OpenStack oferece diversas vantagens que o tornam uma escolha popular para a implementação de infraestrutura em nuvem em empresas de vários setores.

Vamos explorar algumas das principais vantagens do OpenStack.

Código Aberto

  • Gratuito e sem licenciamento proprietário: como software de código aberto, o OpenStack é gratuito para uso e não requer licenciamento proprietário, o que pode reduzir significativamente os custos operacionais.

O OpenStack utiliza a licença Apache que permite que os usuários utilizem, modifiquem, distribuam e sublicenciem o software, desde que mantenham os avisos de direitos autorais e de isenção de responsabilidade.

  • Transparência e flexibilidade: o código aberto permite que os usuários examinem, modifiquem e personalizem o software de acordo com suas necessidades específicas.

Escalabilidade

  • Alta escalabilidade: o OpenStack é projetado para crescer com sua infraestrutura. Ele pode escalar horizontalmente para suportar milhares de nós e milhões de máquinas virtuais.

  • Ajuste dinâmico de recursos: capacidade de adicionar ou remover recursos conforme necessário para atender à demanda variável.

Flexibilidade e Personalização

  • Modularidade: a arquitetura modular do OpenStack permite que apenas os componentes necessários sejam escolhidos e implementados, oferecendo uma personalização completa da infraestrutura.

  • Suporte a vários backends: possui suporte a diversas tecnologias de virtualização, sistemas de armazenamento e soluções de rede, permitindo a integração com uma variedade de infraestruturas existentes.

Interoperabilidade

  • APIs padrão: o OpenStack utiliza APIs abertas e padronizadas, facilitando a integração com outras ferramentas e serviços, tanto de código aberto quanto proprietários.

  • Compatibilidade com outras tecnologias: integração com outras soluções de nuvem, como Kubernetes, para orquestração de contêineres e gerenciamento de cargas de trabalho.

Assim, as vantagens do OpenStack o tornam uma solução atraente para organizações que buscam uma infraestrutura de nuvem robusta, escalável, flexível e economicamente viável.

Desafios da adoção do OpenStack

Apesar de suas muitas vantagens, o OpenStack também apresenta alguns desafios que podem afetar sua adoção e implementação. Vamos explorar os principais desafios desta tecnologia.

Complexidade de implementação e gerenciamento**

  • Curva de aprendizado íngreme: a instalação e configuração do OpenStack podem ser complexas, exigindo um nível significativo de conhecimento técnico e experiência em administração de sistemas e redes.

  • Gerenciamento complexo: a manutenção e atualização contínuas do OpenStack podem ser desafiadoras, especialmente em grandes implementações com múltiplos componentes e serviços.

Requisitos de infraestrutura

  • Recursos de Hardware: implementar o OpenStack em larga escala pode exigir um investimento considerável em hardware, incluindo servidores, armazenamento e rede.

  • Planejamento e capacidade: um planejamento cuidadoso é necessário para garantir que a infraestrutura suporte adequadamente o desempenho e a escalabilidade desejados.

Custos Operacionais

  • Custo de mão de obra qualificada: a necessidade de pessoal altamente qualificado para instalar, configurar e manter o OpenStack pode elevar os custos operacionais da organização.

  • Suporte e manutenção: embora o software em si seja gratuito, o suporte profissional e os serviços de consultoria podem ser caros.

Assim, o OpenStack apresenta desafios significativos em termos de complexidade de implementação, gerenciamento contínuo, e custos operacionais.

Organizações interessadas em adotar o OpenStack devem estar cientes desses desafios e avaliar cuidadosamente se possuem os recursos e expertise necessários para mitigar essas desvantagens.

Comunidade e recursos do OpenStack

A comunidade do OpenStack desempenha um papel crucial no desenvolvimento, suporte e disseminação da plataforma.

Essa comunidade é composta por milhares de desenvolvedores e contribuidores de todo o mundo. Empresas de tecnologia líderes, como Red Hat, IBM, Intel, Cisco, e outras, também contribuem ativamente para o projeto.

Há uma estrutura de governança organizada com o OpenStack Foundation, agora renomeada para Open Infrastructure Foundation, que supervisiona o desenvolvimento e a direção do projeto.

A Open Infrastructure Summit (anteriormente conhecida como OpenStack Summit) é um dos principais eventos da comunidade, realizado duas vezes por ano.

Este evento reúne desenvolvedores, operadores e usuários para discutir inovações, compartilhar experiências e colaborar no futuro do OpenStack e outras tecnologias de infraestrutura aberta.

Outros eventos regionais e locais, como meetups e workshops, são organizados pela comunidade ao redor do mundo para promover a colaboração e o compartilhamento de conhecimento.

A documentação oficial do OpenStack é extensa e bem organizada. O Guia do Usuário oferece instruções detalhadas sobre como instalar, configurar e usar OpenStack.

A comunidade OpenStack é ativa em fóruns, listas de discussão e canais de IRC. Estes canais de comunicação são ótimos lugares para obter ajuda, compartilhar experiências e resolver problemas comuns.

Conclusão

Ao longo dos anos, o OpenStack evoluiu de uma iniciativa colaborativa entre a NASA e a Rackspace para uma das principais plataformas de nuvem open source do mundo, impulsionando a inovação e fornecendo infraestrutura de nuvem escalável e flexível para uma ampla variedade de aplicações e setores.

Sua arquitetura modular permite que as organizações personalizem suas implementações conforme as necessidades específicas, enquanto a robusta comunidade de desenvolvedores e usuários garante suporte contínuo e uma rápida evolução tecnológica.

Com a capacidade de democratizar o acesso à tecnologia de nuvem, o OpenStack se estabeleceu como uma alternativa viável e poderosa às soluções proprietárias, proporcionando às empresas o controle total sobre suas infraestruturas e ajudando a fomentar um ecossistema de TI mais aberto e colaborativo.

Ao adotar o OpenStack, as organizações podem não apenas reduzir custos, mas também inovar e crescer com mais agilidade, aproveitando as vantagens de uma plataforma de nuvem que continua a liderar no espaço de tecnologia open source.

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Gabrielle Ribeiro Gomes
Gabrielle Ribeiro Gomes

Gabrielle é estudante de Engenharia de Software na Universidade de Brasília - UnB. Faz parte do Scuba Team da Alura atuando principalmente com Python. É apaixonada por programação, robótica, machine learning e gatos.

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